• Posted by : Vivvy sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

    [Ano 4017, século XLI]
    Localizando... Localização completa!
    [Kwangsan, Coréia]
    Estava saindo da biblioteca, já havia entregado meus aparelhos eletrônicos do ano passado. Agora era só esperar até amanhã para ter as coisas novas. Como eram duas horas da manhã eu achei que não teria nenhum policial mecânico na rua. As gotas de chuva caiam levemente pelo meu rosto, fazendo eu levantar o capuz da minha jaqueta azulada.
    Policiais mecânicos eram máquinas feitas para checar se nenhum dos Átomos estava passeando pela cidade depois do toque de recolher, foi exatamente o ranger dos dentes de um que me fez deixar de caminhar e finalmente entender que eu estava em um campo de guerra, então comecei a correr.
    O dia já havia se transformado noite á muito tempo, as únicas luzes restantes eram de minhas lanternas, presas ao meu pulso por uma corda de aço, e as dos policiais noturnos, por isso eu ia pelos becos mais escuros, onde os policiais não tentavam ir porque a escuridão era muito maior do que simples luzes de lanternas.
    O escuro não era um problema, pois minha visão noturna estava ativada. Eu podia ver tudo perfeitamente em um raio de cinqüenta metros. O beco era estreito e haviam algumas janelas quebradas que refletiam minha imagem quando eu passava, parecia patética. Com aquelas olheiras enormes pela falta de sono e os cabelos presos em dois rabos de cavalos parecia mais uma das crianças que se mudavam para a cidade e não se acostumavam com o ritmo incessante de Kwangsan, a cidade-escola, que era chamada assim por que... Bem... Era uma cidade-escola.
    Retirei meus laços do cabelo azul e rosa bebê, deixando o cabelo escorrer pelos meus ombros na tentativa de parecer mais adulta, pateticamente parecendo a mesma criança. Desisti assim que arranhei o meu rosto sem querer, abrindo um buraco na pele que deixava á mostra meu endo-esqueleto, fios azuis e metal á mostra.
    Fui até o fundo do beco e me concentrei, eu precisava fazer isso rápido, o último dia do ano de 4016 havia acabado á duas horas e o anúncio dos dormitórios seria feito em poucas horas, era necessário estar impecável.
    Estendi minha mão, passando toda a minha energia para o braço esquerdo e logo um portal escuro se formou á minha frente, finalmente! Treinava isso desde os onze anos e só havia aprendido como controlar energia para fazer um portal e colocado isso em prática depois que completei dezessete, ainda nunca havia entrado em um portal feito por mim e estava ansiosa para tentar pela primeira vez.
    Um pouco temerosa, entrei no portal.
    A sensação era estranha e deixava meu sistema interno contrariado, meu dispositivo de localização havia começado a dar bug por não conseguir localizar o portal, isso durou uma fração de segundos até eu sair do arco escuro.
    Localizando... Localização completa.
    [Dormitório C, Oitavo andar]
    Caí no chão do meu quarto, sentindo minhas pernas colidirem com o solo liso, o que ocasionou um barulho enorme e eu ouvi a porta se abrindo imediatamente, a figura alta correndo para dentro do quarto.
    -Shori? Você já voltou? –Kim Sohyon, minha colega de quarto, segurou minhas mãos, me ajudando a levantar.
    Suspirei, concordando com a cabeça enquanto ela ia até o guarda-roupa e digitava minhas medidas na máquina. Eu havia aprendido isso no ano passado: os guarda-roupas tem um mecanismo interno que os permite tecer roupas imediatamente conforme as medidas que você digitar no teclado implantado em sua porta, ouvi dizer que um novo modelo de guarda-roupa surgiria, dessa vez com touchscreen.
    Logo ela abriu a porta e tirou de lá um uniforme de algodão, era uma camiseta social branca com detalhes em preto acompanhada de uma saia de pregas também preta, assim como a roupa que Sohyon estava usando. Logo ela pegou um dos laços que eu havia arrancado de meu cabelo e colocado no bolso e me estendeu junto com a roupa, fazendo questão de explicar:
    -Use seu laço para ser a gravata já que eu joguei as de 4016 fora, só guardei essa. –Ela apontou para o peito, onde um laço dourado enfeitava o uniforme. –Não demore, a cerimônia é daqui á pouco. –Ela saiu do quarto, provavelmente indo até o banheiro para se arrumar.
    Despi-me, começando a vestir o uniforme de tamanho padrão. A camiseta ficou um pouco grande pra mim e a saia ficou mais curta do que deveria, meu tamanho não era exatamente o padrão: minhas pernas eram maiores do que o tronco, por isso as roupas nunca serviam direito.
    Amarrei o laço dourado de meu cabelo no pescoço. A gravata servia para te diferenciar dos demais, a ideia é que cada série escolar tivesse uma cor específica, então era obrigatório trocar a gravata antes da iniciação anual. Antigamente também era necessário pintar o cabelo, mas isso deixou de ser obrigatório quando os cientistas disseram que pintar o cabelo ameniza a resistência dos fios.
    Ano passado era azul claro, agora é dourado e ano que vem será carmim, o único padrão é usar cores que lembram metais ou lata, cores fantasiosas ou que lembram robôs. Se bem que temos muita coisa que lembram robôs em nós além da gravata.
    O DNA, por exemplo.
    Me apressei em vestir minhas meias em losangos brancos e pretos e corri até o banheiro, onde Sohyon penteava o cabelo com as pontas louras, ela havia resolvido pintar as pontas para ficar com um tom diferente, também porque era mais alta que as pessoas da nossa idade e sempre á confundiam com pessoas mais velhas, então ela tinha que pintar o cabelo ou sempre seria confundida. Depois de prender seu cabelo em um rabo de cavalo ela me ajudou com a minha gravata.
    Eu nunca conseguia fazer o nó, mas ela foi mais rápida, fez um laço perfeito. Era meio estranho que nós fôssemos intímas, mas os anos de convivência ocasionaram isso. Era visto como ruim quando Átomos se tocavam ou demonstravam carinho, se alguém apenas cogitasse isso já seria um crime hediondo. Depois da gravata amarrada, Sohyon me obrigou á abrir um portal para chegarmos no salão mais cedo, e foi o que eu fiz, torcendo para que não doesse tanto quanto na outra vez.
    Dessa vez colidimos com as poltronas de veludo do auditório, o que ocasionou em um machucado na perna pouco sério para Sohyon, mas que fez escorrer um líquido escuro, sangue misturado com olho de motor, da ferida.
    Iniciando regeneração celular espontânea...
    Fabricando tecido corporal...
    [Regeneração celular completa! Batimentos cardíacos: normais.]
    Suspirei ao ver a minha pele se regenerando e o machucado que havia acabado de fazer sumindo, só havia sujado um pouco da poltrona.
    -Olha, Shori, já me recuperei. –Mostrei a perna á ela, que parecia preocupada comigo como sempre ficava quando eu me machucava. Por mais que ela soubesse que eu herdava do sobrenome Kim um corpo muito mais do que saudável.
    Shori não falava muito, a voz dela era defeituosa: muito fina, por isso ela evitava o máximo possível usá-la, mas hoje teria que fazê-lo de qualquer jeito, ela deveria estar muito nervosa.
    Estávamos longe do palco então achei que quase ninguém se sentaria ali, mas me surpreendi pois haviam muitas pessoas sentadas perto de nós, em todo lugar inclusive. Era a primeira vez que o auditório lotava, o que significa que entraram muitas crianças novas na escola.
    A idade mínima para se inscrever em Kwangsan, a cidade-escola, são dez anos, eu entrei na escola exatamente com essa idade e desde então eu continuo aqui, treinando até a formatura. Algumas crianças se escondem no interior para não virem á escola, mas é inevitável, um dia ou outro da sua vida você vem parar aqui de qualquer jeito.
    Ninguém sobrevivia á esta era sem virar um átomo.
    Logo as luzes se apagaram e dois adultos apareceram no palco, muito bem vestidos por sinal. Um era uma mulher loira usando um vestido branco, achei ela linda, e o outro era um homem com cabelos pretos e um terno também preto, pareciam totais opostos, porém eu já havia visto eles antes, sabia que não eram o que pareciam.
    A mulher loira pediu para todas as pessoas que tinham a habilidade do ventriloquismo se levantarem e repetirem o discurso á seguir, Shori se levantou assim como algumas pessoas, cada uma em um canto do salão enorme, deveria ter espaço para umas vinte mil pessoas ali.
    -Mais um ano começou. –Ela disse encima do palco, muito baixo para meus ouvidos, mas Shori repetiu assim como todos os outros ventriloquistas, a garota estava com os olhos fechados e com as mãos segurando a barra de sua saia, quando abriu os olhos e continuou falando, sua voz havia se transformado na voz da mulher encima do palco. Eu odiava quando Shori fazia isso. –Mais um ano que provavelmente será muito produtivo para vocês, um ano cheio de trabalho, mas também de vitórias. A única coisa que será importante nesse ano é se lembrar de quem vocês são. Quem?
    -Átomos. –O salão inteiro respondeu em conjunto e os ventriloquistas continuaram a repetir o discurso que eles proferiam no palco. A habilidade do ventriloquismo era muito difícil de se descobrir, apenas pessoas da linhagem Jung haviam conseguido desenvolver isso, o que inclui Jung Seungri, ou como eu chamo ela: Shori, minha melhor amiga e colega de quarto desde sempre.
    -Exatamente. Átomos não tem medo do perigo, não tem medo de exagerar e muito menos tem medo do passado. Minhas bênçãos á primeira série, composta pelas crianças novas que em breve serão tão poderosas ou até mais que seus pais. Á segunda série que já passou pela mesma coisa que os novatos, cabe á vocês orientá-los. Á terceira série, parabéns por terem resistido á dois anos aqui. Á quarta série...
    A mulher continuou falando sobre as séries enquanto eu notei um menino andando até o palco, usando o uniforme. Ele parecia não ser notado por ninguém, a gravata verde indicava que ele era da décima segunda série, vinte ou vinte e um anos. Logo percebi o que ele faria.
    -E á décima sexta, a última série: em breve vocês serão adultos, façam as escolhas certas, lutem pela Coréia, contamos com vocês. Todos que estão presentes aqui ascenderão as chamas do futuro algum dia, a guerra dos seus pais será a sua, então não apaguem o fogo.
    Pequenas chamas se ascenderam nas pontas do palco e o menino que eu vi antes junto com outras pessoas se aproximaram do palco, fazendo o fogo ficar cada vez mais alto, quando o fogo se apagou outro homem estava lá, este todos conheciam. Levantamos e aplaudimos Choi Seunghyun, o diretor da cidade-escola.
    -Obrigado. Agora, antes de vocês saberem em que andar e quarto do dormitório vocês ficarão, devo avisar que faremos algo um pouco diferente nesse ano... Vamos misturar os gêneros. –Shori gaguejou um pouco ao falar e todo o salão ficou em silêncio. –Vamos... Misturar os gêneros. –Shori repetiu com sua voz normal, mas depois voltou a interpretar a voz de Seunghyun. –Não queremos ser como nossos antepassados pré-históricos, somos todos iguais independente dos gêneros que nos caracterizam quando começamos a existir. Somos mais do que homens ou mulheres, somos átomos.
    Todos aplaudimos, mesmo temerosos com a ideia nova. Juntar os gêneros parecia ser algo assustador por causa dos boatos, histórias que diziam que dependendo da linhagem, pessoas de gêneros diferentes estavam destinados a uma vida de lutas um contra o outro até a morte. Por exemplo: minha linhagem é Kim, que é o meu sobrenome, então a linhagem que seria minha inimiga é a linhagem Kwon.
    Mas é claro que eu não deveria me preocupar com isso.
    Estava tão emersa em meus pensamentos que nem percebi o telão se estendendo pela parede do salão, então aquele filme perturbador que tínhamos que ver todo ano começou na tela enorme.
    “Átomos: Quem são, De onde vem e outras perguntas freqüentes.” A voz do narrador ressoou tão alto pelo salão que nenhum ventríloquo precisou interpretá-la. “O que são Átomos exatamente? Ora, essa pergunta é muito fácil de ser respondida! Somos mestiços, metade humanos e metade robôs, uma combinação perfeita de emoção e razão. E posso garantir que o modo que somos feitos não é nada nojento.”
    “Vocês sabem como Átomos são e sabem que apesar de podermos praticar o ato sexual...” Shori fez uma careta de nojo. “Ainda não podemos engravidar. Os pais de vocês os adotaram completamente conforme os gostos deles e vocês foram feitos unicamente para eles: seu endo-esqueleto foi preparado com todos os fios necessários e um cérebro artificial, que não funcionaria sem seus corações.” Algumas das pessoas sentadas perto de mim colocaram a mão no peito. “Corações humanos de verdade, guardados em freezers por anos, vocês deveriam cuidar deles como se fossem jóias, já que sempre que um Átomo morre, o coração dele é transferido para que uma nova vida possa existir, assim como alguns de seus órgãos internos: estômago, pulmões, intestino, rins, tudo para que os Átomos atinjam o nível da perfeição corporal.”
    “Sua pele é feita com borracha sintética, algumas são um pouco sensíveis demais, não é? Sempre existem lotes com falhas, mas vocês devem aprender a usar essas falhas para transformá-las em acertos. O único erro que não pode ser transformado... são as emoções. Átomos se sentirem tristes, alegres, irritados, apaixonados... Isso não deveria acontecer, é o nosso defeito mortal, algo que ainda estamos consertando.” Foi o que a voz disse desde que eu tinha dez anos, todo ano o documentário nunca mudava, já havia perdido as esperanças. “Mas infelizmente, tentando consertar essa falha, acabamos libertando um vírus muito perigoso, o AASEDAE900, também conhecido como vírus da nova geração”.
    É, esse definitivamente não parecia o mesmo documentário, eles editaram o final?
    “O vírus entra no seu sistema interno facilmente e ataca o seu coração diretamente, fazendo com que você morra e com que o seu coração seja destruído internamente, não podendo ser reaproveitado, então tenham cuidado. Estamos criando uma cura, mas ainda não podemos liberá-la pois os testes com animais deram errado.” Silêncio, animais eram uma coisa meio rara, apenas pessoas autorizadas podiam ter e pessoas autorizadas eram apenas adultos com algum nível de importância. “Quando todos os testes funcionarem vocês estarão salvos. Por enquanto foquem nos estudos e lembrem-se: um Átomo não tem medo. Saudações da capital, jovens”. E o documentário se encerrou, fazendo com que o diretor Choi Seunghyun voltasse ao palco e mandassem os alunos responsáveis distribuírem as fichas dos dormitórios.
    Eu estava ansiosa, contato físico entre duas pessoas do mesmo gênero era mal visto, entre pessoas de gêneros diferentes então, era morte na certa. Ensinaram isso para nós desde crianças e foi exatamente pensando nisso que a pessoa que estava entregando a minha ficha esbarrou a ponta dos dedos na minha mão.
    -Desculpa... –A voz disse, enquanto eu levantava meu olhar até avistar o mesmo garoto que havia visto antes, o cabelo preto contrastando com a pele clara como açúcar.
    -Tenha mais cuidado, Young. –Eu peguei minha ficha, tendo certeza que ele tinha Young no nome, apenas pessoas da linhagem Young controlavam o fogo.
    -Como você...
    -Pirocinese, certo? Eu vi isso. –Ele concordou, fazendo seus lábios se curvarem levemente, o que parecia um sorriso, e continuou entregando as fichas. –Shori, o meu nome está na sua ficha? –Perguntei para a garota ao meu lado, que apenas encarava a ficha dela. –Shori, você está me ouvindo?
    Coloquei a mão na frente da face da mesma, balançando-a, o que surtiu efeito já que ela balançou a cabeça.
    -Vamos morar no mesmo andar, porém separadas. –Ela apontou sua ficha com um nome estampado ao seu lado no quarto nove. –Lee Chan. –Ela falou baixinho, ficando com as bochechas róseas por ter usado sua voz fina, fazendo com que algumas pessoas olhassem para ela.
    Suspirei, tentando me lembrar desse nome, infelizmente não me lembrei de nada.
    -Eu não conheço, tome cuidado com essa pessoa. –Pedi, entregando sua ficha de novo, enquanto o diretor pedia para que fôssemos para os dormitórios pois as empregadas provavelmente já haviam arrumado tudo. –Vamos juntas até o dormitório.
    Ela concordou com a cabeça e se preparou para fazer outro portal quando de repente nos surpreendemos com um professor vindo em nossa direção, ele tinha cabelos loiros familiares e eu me lembrei imediatamente dele. Professor Lee Seunghyun, sim, ele compartilhava o mesmo nome do diretor. Era o tutor de Shori desde que ela chegou na cidade-escola e o mais novo dos professores.
    -Seungri, olá! –Ele chegou, sorrindo para a pequena que apenas acenou com uma das mãos, pigarreei. –Ah, você também, Sohyon. –Lhe mostrei a língua, como a pessoa se esquecia assim de mim? –Bem, eu vim avisar á você que nós começaremos com as aulas mais tarde, para você descansar bem, não podemos começar com uma criança cansada, não é mesmo? –Ele era o professor mais legal que eu conhecia, porque meus professores não eram como ele?
    Seunghyun era professor da linhagem Seung, ensinava todas as crianças com esse nome, como ele, o que incluía Shori, que ele insistia em chamar de Seungri, o nome real dela. Ele tinha tanto carinho com a pequena que a deixava uma semana sem aula para tirar uma folga, já que as aulas nunca acabavam, a última aula do ano era dia trinta do último mês e a primeira era no dia um, nós não descansávamos.
    Bem, a maioria não, mas uns poucos privilegiados conseguiam muito tempo livre.
    O professor Seunghyun nos contou sobre o documentário e disse que o vírus era muito perigoso e se instalava nas salas de tempo livre, que eram os cinemas, parques e estúdios de treino, usávamos o último para treinar dança. Parece estranho, mas a dança ajuda nosso corpo a ser mais resistente e não se quebrar facilmente.
    Ele pediu para nós — ou melhor, para Seungri —termos cuidado como o vírus, já que ainda não tinha cura e nos liberou para irmos ao prédio. Assim que chegamos no dormitório M começamos a contar os andares. Treze andares ao todo, nove quartos grandes que ocupavam nove andares inteiros, um para cada quarto, mais as salas extras, eu podia conviver com isso.
    Assim que entrei no prédio senti o cheiro estranho que meus sensores tentavam reconhecer.
    Identificando...
    Odor identificado: fumaça.
    Isso não me deixou muito calma e fui imediatamente correndo até o lugar de origem da fumaça, com Shori vindo atrás de mim, até que meu coração se apertou ao ver a cena: um garoto tentando á todo custo apagar um macarrão instantâneo em chamas, que insistia em pegar fogo. Parecia uma cena engraçada, mas queimar macarrão instantâneo é um crime!
    Shori se aproximou do potinho de macarrão, fechando os olhos e tentando controlar a água da torneira. Ela tinha o poder da manipulação elemental, controlava a água e o ar pois ainda não havia aprendido á controlar os outros elementos, infelizmente também não conseguia controlar os seus poderes e a torneira acabou estourando, fazendo a água jorrar para todo o lado, consequentemente apagando o fogo. Destruímos a cozinha? Sim, mas salvamos um potinho de macarrão instantâneo.
    -Obrigado, eu não sei controlar isso de pirocinese ainda... –Ele sorriu, se virando e eu me lembrei do garoto, era o Young alguma coisa do salão. –Ah, é você! Qual o seu nome? –Ele perguntou para mim.
    -Ah... Kim Sohyon. –Respondi meio rápido demais, ainda assustada por causa do macarrão em chamas.
    -O meu nome é Kwon Soonyoung! –Ele estendeu a mão e eu finalmente entendi tudo.

    Kwon e Kim eram linhagens inimigas.

    Leave a Reply

    Subscribe to Posts | Subscribe to Comments

  • - Copyright © Dreamland - Powered by Blogger - Designed by Johanes Djogan -