New Post!




  • Se foi você quem terminou 
    Porque espera eu voltar?
    Será que não enxerga
    Que eu não quero mais você

    Você me deixa louca
    Começo a me perder
    Talvez vá me arrepender
    Mais ainda quero você

    Não quero ouvir nenhuma palavra
    Se não vou querer voltar
    Just stop
    Meus limites não ultrapassa
    Se acha que eu não mudei nada, errou

    April Fools
    Já pode parar
    Não vou cair na sua mentira
    Au, só quer me deixar mal
    (You are fool)
    Você sabe porque eu nunca mais quero te ver
    April Fools
    Não acredito em você oh eh oh

    Você chega se chega a se encolher todo intimidado
    Quando eu olho pra você parece que nada mudou

    Se eu paro pra pensar
    Percebo que você só que me enganar
    Se eu sou tão legal e bonita
    Então porque você queria outras?

    Cala a boca, olha pra minha cara
    Tu acha que eu vou voltar?
    Just stop
    Meus limites melhor não testar.
    Cê acha que eu não mudei nada? Que dó!

    April Fools
    Já pode parar
    Não vou cair na sua mentira
    Au, só quer me deixar mal
    (You are fool)
    Se você acha que tem poder sobre mim, você vai ver
    April Fools
    Não acredito em você oh eh oh

    Assim como você pode me enganar
    Eu também posso te deixar
    Todos os anos que eu perdi com você
    Nunca vou recuperar
    Não sou trouxa de voltar com alguém
    Que só vai me atrasar

    April Fools
    Já pode parar
    Não vou cair na sua mentira
    Au, só quer me deixar mal
    (You are fool)
    Você sabe porque eu nunca mais quero te ver
    April Fools
    Não acredito em você oh eh oh

    Fools
    Já pode parar
    Não vou cair na sua mentira
    Au, só quer me deixar mal
    (You are fool)
    Não quero mais lembrar que já senti coisas por você
    April Fools
    Não acredito em você oh eh oh

    April Fools

    0

  • Long live the reckless and brave
    Long live all that fate

    Modeun geos-eul bakkugo sipda
    Kkum-i issdamyeon 
    Jeoldae pugihajimara

    Dowajuseyo, dowajuseyo
    Dora bojima
    Uigo sip-eoyo, uigo sip-eoyo
    Ani-ya

    Na jeongmal michigetne
    Ottokae? 
    Sesangi michyeo doragane

    (Don't you give up)
    Hyeonmyeon, hyeonmyeon, hyeonmyeon
    Chwigorul hwimanghadwi (oh yeah, yeah, yeah, yeah, yeah)
    Hyeonmyeon, hyeonmyeon, hyeonmyeon
    Chwiagedu daebihara (Yeah, yeah, yeah, yeah)

    Pogihaji mara
    This is revolution
    Taeyang-i jilddae
    Byeol-eun dasi bichnanda
    Yeah, michigega uri
    Yeah, ppaligega uri
    Things that you'ld never see
    Hajiman da wiheomhan-i

    Daguoen-chanheul geoya
    I close my eyes
    Please, gajima
    Pain is all that is left
    Haru haru modeun geos-eul ijgo sido

    Dowajuseyo, dowajuseyo
    Dora bojima
    Uigo sip-eoyo, uigo sip-eoyo
    Ani-ya

    Na jeongmal michigetne
    Ottokae? 
    Sesangi michyeo doragane

    I seutorian chungeun kkeutiran eobseo
    nal nonggu malgural obseo-yeo
    Don't you give up
    Won't you give up
    Oh~
    Neo-eobsi mot sara
    Because you're my miracle
    (Oh yeah, yeah, yeah, yeah, yeah, yeah, yeah)
    (Don't you give up)

    Yeah, michigega uri
    Yeah, ppaligega uri
    Things that you'ld never see
    Hajiman da wiheomhan-i
    Yeah, michigega uri
    Yeah, ppaligega uri
    Things that you'ld never see
    Hajiman da wiheomhan-i
    Yeah, michigega uri
    Yeah, ppaligega uri
    Things that you'ld never see
    Hajiman da wiheomhan-i
    Yeah, michigega uri
    Yeah, ppaligega uri
    Things that you'ld never see
    Hajiman da wiheomhan-i

    Hyeonmyeon, hyeonmyeon, hyeonmyeon
    Chwigorul hwimanghadwi (oh yeah, yeah, yeah, yeah, yeah)
    Hyeonmyeon, hyeonmyeon, hyeonmyeon
    Chwiagedu daebihara (Yeah, yeah, yeah, yeah)
    Nan guenchana-ang
    Nan ganghana-ang

    Oh yeah~
    Nan guenchana-ang
    Nan ganghana-ang
    Oh yeah, yeah, yeah, yeah, yeah, yeah

    Hyeonmyeon, hyeonmyeon, hyeonmyeon
    Chwigorul hwimanghadwi (oh yeah, yeah, yeah, yeah, yeah)
    Hyeonmyeon, hyeonmyeon, hyeonmyeon
    Chwiagedu daebihara (Yeah, yeah, yeah, yeah)
    Nan guenchana-ang
    Nan ganghana-ang

    Oh yeah~
    Nan guenchana-ang
    Nan ganghana-ang
    Oh yeah, yeah, yeah, yeah, yeah, yeah

    Hyeonmyeon, hyeonmyeon, hyeonmyeon
    Chwigorul hwimanghadwi (oh yeah, yeah, yeah, yeah, yeah)
    Hyeonmyeon, hyeonmyeon, hyeonmyeon
    Chwiagedu daebihara (Yeah, yeah, yeah, yeah)
    Nan guenchana-ang
    Nan ganghana-ang

    Oh yeah~
    Nan guenchana-ang
    Nan ganghana-ang
    Oh yeah, yeah, yeah, yeah, yeah, yeah

    Hyeonmyeon, hyeonmyeon, hyeonmyeon
    Hyeonmyeon, hyeonmyeon, hyeonmyeon
    Hyeonmyeon, hyeonmyeon, hyeonmyeon
    Oh yeah, yeah, yeah, yeah, yeah, yeah

    ● Aria
    ● Hori
    ● Minha
    ● Yoon Mi
    ● Cypher
    ● Weemin
    ● Lucky
    ● ThiB
    ● Choyou
    ● Minhee
    ● Susan
    ● Kyun

    12TION - Revolution (hyeonmyeon)

    0
  • Hello everyone^^

    I`m fine, thank you! And you? I`m gonna do this post i`m english because maybe more people can understand what I'm saying. I'm just experimenting, the next post will be in Portuguese, ok?

    Soooo, yes, i see the comebacks of February and i`m so sad ㅠㅠㅠㅠ Were are you, good songs? But today we had a good song, right? Gugudan gave us A Girl Like Me, the next post will be about this! Let`s talk about something really important now:

    Today I came to talk about the Neko Tenshi Giveaway (I love her videos: 3), she will send a Kawaii Box to a lucky person! I hope this person is me ㅋㅋㅋ

    Anyway, it's very easy to participate of this door price, you just need to click on the link below and go doing what is written, like following the Kawaii Box in instagram and more things like this.


    I've already seen some unboxings of the Kawaii Box and I really wanted to buy one, but my family doesn`t have an international credit card. ㅠㅠㅠㅠㅠㅠㅠㅠ I hope I have a little luck and win, right?

    Well, good luck to everyone ㅇㅂㅇ/

    Neko Tenshi`s Kawaii Box Giveaway (my reblog)

    0
  • Tudo o que eu podia fazer
    Já tentei tantas vezes
    Perdi a conta
    Só me machuquei
    Se eu pudesse desistir para sempre
    Você não iria saber

    As vezes a lua parece tão brilhante
    Mas as pessoas não param pra olhar
    Se fosse um cometa vindo em nossa direção
    Todos iriam se importar

    Eles não entendem nada
    Eles não me conhecem
    Eles jogam as granadas
    Minhas lágrimas descem
    Eu quero viver naquela sala
    Onde ninguém pode me atrapalhar

    A única luz daqui
    Vem dessa máquina
    As mensagens chegão
    São ignoradas
    Eu não preciso me preocupar
    Com as notificações que estão a chegar
    Me importo com você
    São apenas mentiras
    Eu preferia que as palavras
    Fossem sinceras
    Não diga que vai se lembrar
    Depois de duas semanas
    Vai ser a mesma coisa

    Sempre a mesma coisa

    As vezes meus cadernos estão vazios
    Eu engoli todas as palavras
    Vocês querem um capítulo novo
    Mas eu não consegui chegar ao fim, não pude acabar

    Eles não entendem nada
    Eles não me conhecem
    Eles jogam as granadas
    Minhas lágrimas descem
    Eu quero viver naquela sala
    Onde ninguém pode me atrapalhar

    A única luz daqui
    Vem dessa máquina
    As mensagens chegão
    São ignoradas
    Eu não preciso me preocupar
    Com as notificações que estão a chegar
    Me importo com você
    São apenas mentiras
    Eu preferia que as palavras
    Fossem sinceras
    Não diga que vai se lembrar
    Depois de duas semanas
    Vai ser a mesma coisa
    Pra você é a mesma coisa

    Vocês preferem os gritos
    Que a mente causa
    Eu quero o silêncio 
    Da minha voz e alma
    Vou fechar meus olhos
    Descansar um pouco
    Não pertenço á esse lugar.

    Luz

    0

  • Não diga
    Não diga que você pretende me deixar
    Não me deixe presa em suas memórias
    Insistem em escorrer, minhas lágrimas
    Apenas não vá

    Não pensa
    Não pense que vai ser melhor se se enganar
    Por que nessa vida nada vai durar
    Depois do inverno vem a primavera
    Apenas não vá

    Se hoje já acabou, amanhã será diferente
    Como será daqui para frente?

    Até nos encontrarmos novamente
    Adeus, adeus
    Até o dia que nos veremos frente a frente
    Adeus, adeus
    Does anyone know, does anyone know
    How it makes me feel?
    Até nos encontrarmos novamente
    Adeus, adeus

    Oh, adeus, adeus

    Não aceita
    As palavras quebradas são só mentira
    Não me tire do seu coração, minha vida
    Lembre-se que juntos temos uma promessa
    Caem mais lágrimas

    Não chora
    Mesmo quando for difícil, venha até cá
    Fique ao meu lado se você for confiar
    Embora ao seu lado sempre não possa estar
    Nunca se esqueça

    Se hoje já acabou, amanhã será diferente
    Como será daqui para frente?

    Até nos encontrarmos novamente
    Adeus, adeus
    Até o dia que nos veremos frente a frente
    Adeus, adeus
    Does anyone know, does anyone know
    How it makes me feel?
    Até nos encontrarmos novamente
    Adeus, adeus

    Até nos encontrarmos novamente
    Adeus, adeus
    Até o dia que nos veremos frente a frente
    Adeus, adeus

    Não, adeus, adeus

    GOOD BYE - Adapted by Shori

    0
  • Possíveis rotas de fugas:
    Se jogar da janela;
    Recusar aperto de mão;
    Se apossar dos poderes dele e atear fogo no corpo do inimigo;
    Definitivamente a segunda opção era menos perigosa.
    Era normal você dispensar um aperto de mão só porque a pessoa que quer apertar sua mão quase assassinou um potinho de macarrão instantâneo e o sobrenome dessa pessoa é Kwon? Porque se não for você pode me chamar de esquisita, preferiria ter sido queimada viva no lugar do macarrão á apertar a mão do Kwon Incendiário Soonyoung.
    -Olha, desculpa mas... As aulas da Shori começam mais cedo hoje e eu preciso levar ela pro quarto dela, sem tempo para apresentações agora. –Sorri, mesmo que estivesse agonizando por dentro ao ter que interagir com um Kwon. –Talvez outra hora.
    -Nunca é tarde para um aperto de mão, certo? –Ele disse, mas foi interrompido pela porta da cozinha abrindo-se de repente. Um garoto um pouco mais baixo que Soonyoung, de cabelos pretos e fones de ouvido alaranjados apoiados no pescoço, entrou correndo. Ele suava frio e seus olhos estavam arregalados.
    -Soonyoung, o MingMing... –Ele respirou fundo, sem fôlego. –Tá se debatendo no chão e... –Inspirou de novo. –Ele vomitou sangue.
    O Kwon uniu as sobrancelhas em uma clara expressão de dúvida.
    -O quê? Respira, Hansol.
    -MingMing está machucado, eu vi alguma coisa junto com o sangue que ele vomitou... Alguma coisa se mexendo. –Shori soltou um gritinho e tampou o rosto, provavelmente com nojo. –Você precisa curar ele.
    Soonyoung concordou, ele se dirigiu até a porta e rapidamente se virou, como se estivesse considerando fazer algo que não queria.
    -Sohyon... –Ele pronunciou cada sílaba devagar, tentando soar normalmente. –Você tem que vir junto.
    O que? Eu? Porque o Kwon precisava de mim? Claro que não iria recusar, alguém estava seriamente machucado e eu não iria deixar de ajudar essa pessoa só por causa de Kwon Soonyoung.
    -Eu? Perguntei, mesmo que fosse óbvio que ele estava falando de mim.
    -Hyon. As pessoas da linhagem Hyon têm o poder de absorção de dano, certo? –De fato eu tinha. Absorção de dano é fácil de controlar, eu posso absorver todo o dano que alguém recebeu e transformar em energia para mim, dois alvos com apenas um tiro.
    Concordei, agarrando a mão de Shori.
    -Nós vamos com vocês.
    Clima atual: 15°.
    Ativando aquecedor interno...
    Aquecedor interno ativado!
    Estava frio dentro da arena, era um salão enorme. O chão era feito de LED e as paredes eram claras, no chão haviam alguns resquícios de sangue. Sohyon e Soonyoung estavam ajoelhados encima do corpo, Soonyoung curando os machucados dele e Sohyon absorvendo-os. Eu e o garoto que Soonyoung havia chamado de Hansol estávamos esperando nas arquibancadas, apreensivos.
    -Eles estão demorando tanto. –Hansol comentou.
    -Será que eu posso ajudar em algo? –Perguntei baixinho, logo tampando minha boca com as mãos ao ouvir minha voz fina e meio rouca pela falta de uso. Hansol pareceu interessado na minha voz, arquejando ao me ouvir usando a voz pela primeira vez desde que conheci o garoto.
    -Sua voz!
    Suspirei.
    -Sim, é estranha, eu sei... Por isso eu fico quieta... –Falei quase sem voz, o mais baixo possível, com vergonha da minha voz. A minha voz é diferente das outras, muito aguda, muito estranha, as pessoas não gostam.
    -Não, eu consigo reconhecer ela. –Hansol insistiu. –Só não sei onde ouvi sua voz antes, não parece ser comum. –Ele parecia determinado á descobrir a resposta, até que ouvimos passos vindos da porta. O professor Lee Taemin parecia preocupado ao se aproximar de nós.
    -Crianças, olá! O Mingming não apareceu na aula dele e o Minghao disse que ele havia vindo treinar com o Hansol antes da aula e não voltou, o que você fez Hansol?
    Hansol levantou as mãos em sinal de rendição, assustado.
    -Poxa, professor, eu sou inocente dessa vez, juro! –O professor revirou os olhos. –Tá, talvez eu tenha uma parcela de culpa, mas como eu ia saber que depois de um pouco de treino ele ia ter um ataque epiléptico? Isso é no mínimo culpa dele mesmo. –Ele se explicou rápido, pela desconfiança do professor ele devia aprontar muito... É normal você sentir um dejá vu quando olha para Hansol com as luzes de led brancas atrás, iluminando o rosto do garoto? Talvez seja só uma falha no meu sistema.
    O professor quase engasgou ao ouvir a palavra “ataque” e foi correndo até Soonyoung.
    Estava preocupada com o garoto Mingming, o que aconteceria se ele simplesmente deixasse de existir? Suas aulas na escola não seriam assistidas, seu parceiro de quarto ficaria sozinho, sua vaga de emprego na universidade seria preenchida por outro, o corpo dele não seria nem guardado já que os órgãos provavelmente estão destruídos, é o que Soonyoung disse quando estava tentando curar os ferimentos internos. Ele disse que um pedaço do estômago havia sido vomitado junto ao sangue, o que foi um pouco nojento porém a hora de comer havia sido ás vinte e três horas do dia passado, então não tivemos problemas de enjôo.
    -Soonyoung, o coração ainda está batendo? –Sohyon perguntou e ele se abaixou, deitando sobre o peito do garoto pra ouvir o coração. Sim, o coração de um Átomo faz barulho, um leve zumbido por causa das engrenagens, mas se a pessoa for do tipo sem paciência ela pode colocar um silenciador... Mas isso só depois que se formar na escola, aparelhos para alterar qualquer coisa do corpo que não seja a estética é proibido.
    -Eu não estou ouvindo nada... –Ele disse, debruçado sobre o peito de Mingming. –Sohyon, acho que ele não está mais respondendo!
    -Choque, Soonyoung! Existe alguém com Mimetismo Elétrico para servir de desfibrilador? –Soonyoung negou com a cabeça. –Aish, talvez a Manipulação Elemental da Seungri? Shori, vem cá.
    -Eu não consigo controlar eletricidade, Sohyon. –Disse baixinho, ouvindo ela suspirar enquanto o professor tentava ajudar de alguma forma. Eu já estava ficando com medo, me virei para Hansol e puxei a manga da blusa dele, chamando a atenção do garoto. –Ele vai ficar bem?
    Hansol pensou um pouco e sorriu por fim.
    -Não importa o que aconteça hoje, ele vai sair ganhando.
    “O que é o vírus AASEDAE017? Qual é a cura?” Pesquisando...
    Encontradas 0 respostas, tente uma pergunta diferente.
    Observei Soonyoung pesquisando isso no computador de um professor, o professor Taemin disse iria levar o MingMing para um lugar onde cuidariam dele e depois falaria conosco, então era melhor esperarmos por ele na sala dos professores, que estava vazia pela volta das aulas, ou melhor, agora estava preenchida por nós.
    Durante o tempo de espera fiquei sabendo que Hansol era um ano mais velho que eu, faria dezenove anos esse ano, e era colega de quarto de uma menina chamada Kim Baekyu. Claro que não fui eu que perguntei, ao contrário de mim Hansol gostava de falar e eu como uma boa ouvinte estava ouvindo música nos fones de ouvido pequenos de Sohyon enquanto ele continuava falando. Os fones eram conectados á uma entrada de
    -O que você está ouvindo?
    -Ah, isso é... –Cobri o rosto ao perceber que falei em um tom alto demais e voltei a falar, dessa vez sussurrando. –Eu gosto de música antiga, música barata com um significado bom. –Sorri, música era a coisa mais apreciada ultimamente, as pessoas eram julgadas pelo seu gosto musical e o meu não era nada ruim.
     A porta se abriu, o professor havia chegado.
    -Crianças, o que eu vou falar com vocês hoje é muito sério. –Ele expulsou Soonyoung da sua cadeira, que depois de pesquisar sobre a doença agora estava assistindo animes no computador do professor.
    -Eu já sei de tudo, aquilo sobre o Mingming era um assassinato e você vai ter que matar a gente agora porque a gente viu ele morrendo e você não quer testemunhas? –Soonyoung opinou.
    O professor Taemin suspirou.
    -Se fosse fácil assim, Hoshi. –Hoshi? Segundo meu banco de dados isso significa estrela em japonês, talvez seja uma piada interna entre eles. –Eu quero falar com vocês sobre esse vírus, vocês sabem o que ele causa?
    -Supondo que o Mingming morreu, acho que ele causa um resfriado leve. –Hansol revirou os olhos ao ouvir o que Soonyoung disse. –Os órgãos internos se corroem e o vírus vai até o suco gástrico, como o estômago já está corroído o ácido escorre por dentro do corpo e faz mais estrago ainda.
    -Certo, Soonyoung. E por que ele estava vomitando sangue? –O professor perguntou.
    -Porque ele tentou respirar mas os pulmões estavam cheios de sangue, então o mecanismo dele quis eliminar esse sangue e ele acabou vomitando, mas os órgãos dele estavam tão fracos que um pedaço do estômago acabou sendo vomitado também, certo?
    -Meu garoto! –Eles fizeram um cumprimento que eu não conseguiria imitar, pareciam amigos de anos.
    Susan pigarreou.
    -Gente, um aluno morreu, não era pra vocês estarem tristes não?
    Silêncio... É, eles não haviam pensado nisso.
    -Vou falar com o diretor, voltem para seus dormitórios.
    Nível de Tédio do Local: Extremamente alto;
    Deseja ativar o modo soneca?
    Eu estava quase considerando dormir ali mesmo, o professor Jiyong disse que teríamos uma reunião de dormitório especial, mas até agora ele não havia começado e estava apenas encarando o nada, com um olhar perdido.
    -Professor... –Yoon Jeonghan levantou a mão, ele era um dos garotos mais velhos que moravam conosco e dividia o dormitório com Choi Seungcheol, ele era bastante famoso por ter apenas poderes que eram controlados com a mente, basicamente todo mundo achava ele mega-inteligente e digno de toda a glória, e eu sou a única exceção.
    Gosto sim de ser o diferentão exclusivo sim, não tem nada de errado nisso.
    Quatro pessoas entraram no oratório. Sim, estávamos no oratório do dormitório porque o professor Jiyong achou que seria mais irado usar as poltronas de veludo para conversarmos melhor. Essas pessoas eram Hansol, duas meninas que eu não conhecia e Soonyoung. Soonyoung!
    -Soonyoung, senta aqui! –Levantei a mão e ele sorriu, indo até mim, seguido dos outros que vieram com ele. Soonyoung se sentou ao meu lado e uma garota baixinha se sentou do meu outro lado, ela me superou no quesito “original” pois enquanto todos vestiam a roupa do uniforme normal ela estava usando uma blusa escura, parecendo um corvo perdido no meio de um monte de gaivotas.
    -Oi, Chan. Essa é a Seungri –Ele apontou para a menina ao meu lado. –e aquela é a Sohyon.
    Cumprimentei elas e fui respondido bem por Sohyon, mas a garota ao meu lado apenas acenou com a cabeça, olhando para o professor Jiyong que parecia não ligar para a garota estar usando roupas diferentes do uniforme.
    -Bem, agora que os convidados vips estão aqui já podemos começar a festa, certo? –Jiyong pigarreou, se inclinando para a frente, logo fixando seus olhos na garota ao meu lado. –Roupa bonita, Seungri.
    -Obrigada, professor. –Ela falou baixinho, a voz dela era doce e fina, porém um pouco rouca, não deixava de ser agradável aos meus ouvidos.
    -Como eu estava dizendo, vamos ter que mudar algumas pessoas dos quartos e temos uma regra nova para esse dormitório: vocês dividirão os quartos em trios agora. –Ouvi vários suspiros e vaias, quem era meu colega de dormitório mesmo? Não deve importar já que a pessoa não entrou nenhuma vez no dormitório ainda.
    -Porque faremos isso? Desrespeitamos alguma regra? –Jun, um amigo de Soonyoung, perguntou.
    Jiyong sorriu.
    -Não, Junhui, é que o seu colega de quarto morreu.
    Silêncio.
    -...O Mingming...? –Ele perguntou com dificuldade.
    -Morreu, parou de funcionar, definhou, faleceu, perdeu a vida, sǐwáng, pa-
    -EU JÁ ENTENDI! –Junhui berrou. –Mas como isso aconteceu? O que fez ele morrer do nada, ele era meu melhor amigo, eu só tinha á ele e ao Minghao e agora...
    -Agora vamos ter mudanças! –O professor Jiyong sorriu, fazendo um sinal para Jun fechar a boca, ele tinha esse poder de controlar os outros, havia tirado a voz de Jun. –Primeiramente vocês não terão mais colegas de quarto... E sim trios! –Ele apertou um botão de seu controle remoto e um telão se abriu na parede, revelando uma apresentação em Power Point, que espalhafatoso. –Enquanto estamos aqui, os quartos estão sendo arrumados para que vocês possam conviver em três pessoas no quarto sem faltar nada, vou anunciar os trios para vocês e falar um pouco sobre a morte do coleguinha do Junhui porque o Seunghyun me obrigou, mas eu não acho isso muito importante.
    Jun cerrou os punhos, estava ficando estressado. Adoraria ver ele explodir, seria um show e tanto, mas não pense que eu sou malvado, eu só estou chateado por algo que aconteceu á pouco tempo: meu colega de quarto nem apareceu por lá pra arrumar suas coisas e eu fiquei sozinho por um tempo, odeio ficar sozinho!
    -O primeiro trio será: Choi Seungcheol,Yoon  Jeonghan e Hong Jisoo. –Todos bateram palmas, Seungcheol parecia alegre em dividir o quarto com Jeonghan e Jisoo.
    Seungcheol era o mais velho entre todos, mesmo que tivesse a mesma idade que Jeonghan e Jisoo, ele era o mais atlético do dormitório e participava do clube de esportes, coisa que poucos podem fazer já que a maioria dos Átomos são frágeis. Jeonghan era o que eu disse anteriormente: péssimo, e Jisoo era um prodígio musical, ele era bem incrível, mas Jeonghan ofuscava ele.
    -O segundo trio será formado por Lee Chulmoo, Kwon Yangmi e nosso pequeno Moon Junhui. –Jun estreitou os olhos.
    Chulmoo levava vários garotos para os dormitórios, Soonyoung me dizia que ela estudava muito com eles, eu acho que é verdade já que ela tira notas altas nas provas físicas da escola, já Yangmi... Ela é uma aluna péssima, que bom que não usam mais o método de reprovação como antigamente, agora os alunos passam de ano mesmo tirando notas baixas, quando estão prestes a sair da escola fazem uma prova especial para medir tudo o que aprenderam durante a estadia e conforme a nota que tiraram eles recebem um emprego diferente. Gostaria de saber qual foi a nota do professor Jiyong para ele estar fadado a ser um professor. E tem o Jun...
    O professor continuou a citar os trios, com comentários adicionais feitos por ele sobre os alunos. Como eu não estava nem aí, prestei atenção á garota ao meu lado. Seungri, certo? Ela tinha seus cabelos pintados de rosa e azul, mechas misturadas á tons de roxo. Ela ouvia cada trio que era anunciado atentamente e não parava de tamborilar os dedos no braço da cadeira... Aquilo era código Morse? Duas batidas lentas, quatro batidas rápidas e mais três lentas...
    -E por último mais não menos importante: Chwe Hansol, Lee Chan e Jung Seungri. –Ela olhou para mim de repente, vendo que eu estava encarando ela. Foi meio vergonhoso.
    -Ah... –Ela falou baixinho, desviando seu olhar para o chão.
    -Ei, eu ainda não terminei, não pode ir embora! –Jiyong apontou para Jeonghan, que já estava se levantando.
    -Mas eu preciso dormir, você sabe que hora é? –Argh, tão arrogante. Eu odeio ele! Seungri, por outro lado, pareceu sorrir por uma fração de segundos ao avistar Jeonghan.
    -São duas da tarde.
    -Exatamente! Já são duas da tarde!
    -Muito engraçado, Yoon Jeonghan. Sente-se e ouça com a atenção que eu espero que você tenha. –Tudo o que Jeonghan pôde fazer foi concordar, enquanto isso eu virei para o outro lado: Soonyoung discretamente jogava alguns jogos no seu celular. –Isso também vale pra você, Soonyoung!
    -Espera, eu estou tentado passar dessa fase... Candy Crush é difícil.
    As sobrancelhas do professor se levantaram ao ouvir o nome do jogo.
    -Candy Crush? Você é ridículo, Soonyoung, não sei por que Lee Taemin te acha especial.
    -Talvez ele ache Soonyoung especial querendo se referir ao retardo mental do mesmo... –Jihoon, um garoto baixinho da fileira da frente murmurou. Ele não gostava de Soonyoung, mas o outro adorava implicar com ele.
    -Eu sei que você me ama, Jihoon! –Soonyoung se inclinou para a frente, bagunçando o cabelo do menor.
    -Idiota. –Foi o que Jihoon respondeu.
    -Voltando ao assunto, o vírus que pode matar vocês, lembram? Para tentar prevenir vocês do vírus, começaremos a colocar o mais próximo de uma vacina na comida que servem no refeitório, então se vocês deixassem de comer coisas artificiais e começassem a ir ao refeitório eu agradeceria. –Ele deu um sorriso de lado, apertando outro botão que fez vários confetes caírem do teto. –Aish, botão errado... Limpem isso pra mim depois. –Ele apertou mais um botão de seu controle remoto, fazendo com que uma névoa encobrisse a sala. –Não respirem.
    Tampei meu nariz imediatamente, assim como todos os outros presentes. Quando a névoa desapareceu, o professor não estava mais lá.
    -Parece que agora... Finalmente posso ir dormir! –Jeonghan exclamou. –Você já consegue falar, Junhui?
    -Quem foi o responsável pela cura malfeita de Mingming? –Foi a resposta de Jun.
    -Ah... –Soonyoung olhou para o chão, cruzando os braços. –Talvez... tenha sido... eu?
    Jun se levantou rapidamente, indo até Soonyoung e o empurrando na parede de uma forma dramática. Eu queria que ele explodisse, mas não com o meu amigo! Agora Soonyoung estava á ponto de morrer nas mãos de Junhui e ele nem havia me pagado o dinheiro que eu emprestei para ele á três anos atrás.
    -Hoje é o seu dia de morrer, Kwon Soonyoung.
    Jun foi correndo até Soonyoung, com o punho fechado.

    Foi bom te conhecer, Soonyoung.

    Segundo Capítulo: Kwon

    0
  • [Ano 4017, século XLI]
    Localizando... Localização completa!
    [Kwangsan, Coréia]
    Estava saindo da biblioteca, já havia entregado meus aparelhos eletrônicos do ano passado. Agora era só esperar até amanhã para ter as coisas novas. Como eram duas horas da manhã eu achei que não teria nenhum policial mecânico na rua. As gotas de chuva caiam levemente pelo meu rosto, fazendo eu levantar o capuz da minha jaqueta azulada.
    Policiais mecânicos eram máquinas feitas para checar se nenhum dos Átomos estava passeando pela cidade depois do toque de recolher, foi exatamente o ranger dos dentes de um que me fez deixar de caminhar e finalmente entender que eu estava em um campo de guerra, então comecei a correr.
    O dia já havia se transformado noite á muito tempo, as únicas luzes restantes eram de minhas lanternas, presas ao meu pulso por uma corda de aço, e as dos policiais noturnos, por isso eu ia pelos becos mais escuros, onde os policiais não tentavam ir porque a escuridão era muito maior do que simples luzes de lanternas.
    O escuro não era um problema, pois minha visão noturna estava ativada. Eu podia ver tudo perfeitamente em um raio de cinqüenta metros. O beco era estreito e haviam algumas janelas quebradas que refletiam minha imagem quando eu passava, parecia patética. Com aquelas olheiras enormes pela falta de sono e os cabelos presos em dois rabos de cavalos parecia mais uma das crianças que se mudavam para a cidade e não se acostumavam com o ritmo incessante de Kwangsan, a cidade-escola, que era chamada assim por que... Bem... Era uma cidade-escola.
    Retirei meus laços do cabelo azul e rosa bebê, deixando o cabelo escorrer pelos meus ombros na tentativa de parecer mais adulta, pateticamente parecendo a mesma criança. Desisti assim que arranhei o meu rosto sem querer, abrindo um buraco na pele que deixava á mostra meu endo-esqueleto, fios azuis e metal á mostra.
    Fui até o fundo do beco e me concentrei, eu precisava fazer isso rápido, o último dia do ano de 4016 havia acabado á duas horas e o anúncio dos dormitórios seria feito em poucas horas, era necessário estar impecável.
    Estendi minha mão, passando toda a minha energia para o braço esquerdo e logo um portal escuro se formou á minha frente, finalmente! Treinava isso desde os onze anos e só havia aprendido como controlar energia para fazer um portal e colocado isso em prática depois que completei dezessete, ainda nunca havia entrado em um portal feito por mim e estava ansiosa para tentar pela primeira vez.
    Um pouco temerosa, entrei no portal.
    A sensação era estranha e deixava meu sistema interno contrariado, meu dispositivo de localização havia começado a dar bug por não conseguir localizar o portal, isso durou uma fração de segundos até eu sair do arco escuro.
    Localizando... Localização completa.
    [Dormitório C, Oitavo andar]
    Caí no chão do meu quarto, sentindo minhas pernas colidirem com o solo liso, o que ocasionou um barulho enorme e eu ouvi a porta se abrindo imediatamente, a figura alta correndo para dentro do quarto.
    -Shori? Você já voltou? –Kim Sohyon, minha colega de quarto, segurou minhas mãos, me ajudando a levantar.
    Suspirei, concordando com a cabeça enquanto ela ia até o guarda-roupa e digitava minhas medidas na máquina. Eu havia aprendido isso no ano passado: os guarda-roupas tem um mecanismo interno que os permite tecer roupas imediatamente conforme as medidas que você digitar no teclado implantado em sua porta, ouvi dizer que um novo modelo de guarda-roupa surgiria, dessa vez com touchscreen.
    Logo ela abriu a porta e tirou de lá um uniforme de algodão, era uma camiseta social branca com detalhes em preto acompanhada de uma saia de pregas também preta, assim como a roupa que Sohyon estava usando. Logo ela pegou um dos laços que eu havia arrancado de meu cabelo e colocado no bolso e me estendeu junto com a roupa, fazendo questão de explicar:
    -Use seu laço para ser a gravata já que eu joguei as de 4016 fora, só guardei essa. –Ela apontou para o peito, onde um laço dourado enfeitava o uniforme. –Não demore, a cerimônia é daqui á pouco. –Ela saiu do quarto, provavelmente indo até o banheiro para se arrumar.
    Despi-me, começando a vestir o uniforme de tamanho padrão. A camiseta ficou um pouco grande pra mim e a saia ficou mais curta do que deveria, meu tamanho não era exatamente o padrão: minhas pernas eram maiores do que o tronco, por isso as roupas nunca serviam direito.
    Amarrei o laço dourado de meu cabelo no pescoço. A gravata servia para te diferenciar dos demais, a ideia é que cada série escolar tivesse uma cor específica, então era obrigatório trocar a gravata antes da iniciação anual. Antigamente também era necessário pintar o cabelo, mas isso deixou de ser obrigatório quando os cientistas disseram que pintar o cabelo ameniza a resistência dos fios.
    Ano passado era azul claro, agora é dourado e ano que vem será carmim, o único padrão é usar cores que lembram metais ou lata, cores fantasiosas ou que lembram robôs. Se bem que temos muita coisa que lembram robôs em nós além da gravata.
    O DNA, por exemplo.
    Me apressei em vestir minhas meias em losangos brancos e pretos e corri até o banheiro, onde Sohyon penteava o cabelo com as pontas louras, ela havia resolvido pintar as pontas para ficar com um tom diferente, também porque era mais alta que as pessoas da nossa idade e sempre á confundiam com pessoas mais velhas, então ela tinha que pintar o cabelo ou sempre seria confundida. Depois de prender seu cabelo em um rabo de cavalo ela me ajudou com a minha gravata.
    Eu nunca conseguia fazer o nó, mas ela foi mais rápida, fez um laço perfeito. Era meio estranho que nós fôssemos intímas, mas os anos de convivência ocasionaram isso. Era visto como ruim quando Átomos se tocavam ou demonstravam carinho, se alguém apenas cogitasse isso já seria um crime hediondo. Depois da gravata amarrada, Sohyon me obrigou á abrir um portal para chegarmos no salão mais cedo, e foi o que eu fiz, torcendo para que não doesse tanto quanto na outra vez.
    Dessa vez colidimos com as poltronas de veludo do auditório, o que ocasionou em um machucado na perna pouco sério para Sohyon, mas que fez escorrer um líquido escuro, sangue misturado com olho de motor, da ferida.
    Iniciando regeneração celular espontânea...
    Fabricando tecido corporal...
    [Regeneração celular completa! Batimentos cardíacos: normais.]
    Suspirei ao ver a minha pele se regenerando e o machucado que havia acabado de fazer sumindo, só havia sujado um pouco da poltrona.
    -Olha, Shori, já me recuperei. –Mostrei a perna á ela, que parecia preocupada comigo como sempre ficava quando eu me machucava. Por mais que ela soubesse que eu herdava do sobrenome Kim um corpo muito mais do que saudável.
    Shori não falava muito, a voz dela era defeituosa: muito fina, por isso ela evitava o máximo possível usá-la, mas hoje teria que fazê-lo de qualquer jeito, ela deveria estar muito nervosa.
    Estávamos longe do palco então achei que quase ninguém se sentaria ali, mas me surpreendi pois haviam muitas pessoas sentadas perto de nós, em todo lugar inclusive. Era a primeira vez que o auditório lotava, o que significa que entraram muitas crianças novas na escola.
    A idade mínima para se inscrever em Kwangsan, a cidade-escola, são dez anos, eu entrei na escola exatamente com essa idade e desde então eu continuo aqui, treinando até a formatura. Algumas crianças se escondem no interior para não virem á escola, mas é inevitável, um dia ou outro da sua vida você vem parar aqui de qualquer jeito.
    Ninguém sobrevivia á esta era sem virar um átomo.
    Logo as luzes se apagaram e dois adultos apareceram no palco, muito bem vestidos por sinal. Um era uma mulher loira usando um vestido branco, achei ela linda, e o outro era um homem com cabelos pretos e um terno também preto, pareciam totais opostos, porém eu já havia visto eles antes, sabia que não eram o que pareciam.
    A mulher loira pediu para todas as pessoas que tinham a habilidade do ventriloquismo se levantarem e repetirem o discurso á seguir, Shori se levantou assim como algumas pessoas, cada uma em um canto do salão enorme, deveria ter espaço para umas vinte mil pessoas ali.
    -Mais um ano começou. –Ela disse encima do palco, muito baixo para meus ouvidos, mas Shori repetiu assim como todos os outros ventriloquistas, a garota estava com os olhos fechados e com as mãos segurando a barra de sua saia, quando abriu os olhos e continuou falando, sua voz havia se transformado na voz da mulher encima do palco. Eu odiava quando Shori fazia isso. –Mais um ano que provavelmente será muito produtivo para vocês, um ano cheio de trabalho, mas também de vitórias. A única coisa que será importante nesse ano é se lembrar de quem vocês são. Quem?
    -Átomos. –O salão inteiro respondeu em conjunto e os ventriloquistas continuaram a repetir o discurso que eles proferiam no palco. A habilidade do ventriloquismo era muito difícil de se descobrir, apenas pessoas da linhagem Jung haviam conseguido desenvolver isso, o que inclui Jung Seungri, ou como eu chamo ela: Shori, minha melhor amiga e colega de quarto desde sempre.
    -Exatamente. Átomos não tem medo do perigo, não tem medo de exagerar e muito menos tem medo do passado. Minhas bênçãos á primeira série, composta pelas crianças novas que em breve serão tão poderosas ou até mais que seus pais. Á segunda série que já passou pela mesma coisa que os novatos, cabe á vocês orientá-los. Á terceira série, parabéns por terem resistido á dois anos aqui. Á quarta série...
    A mulher continuou falando sobre as séries enquanto eu notei um menino andando até o palco, usando o uniforme. Ele parecia não ser notado por ninguém, a gravata verde indicava que ele era da décima segunda série, vinte ou vinte e um anos. Logo percebi o que ele faria.
    -E á décima sexta, a última série: em breve vocês serão adultos, façam as escolhas certas, lutem pela Coréia, contamos com vocês. Todos que estão presentes aqui ascenderão as chamas do futuro algum dia, a guerra dos seus pais será a sua, então não apaguem o fogo.
    Pequenas chamas se ascenderam nas pontas do palco e o menino que eu vi antes junto com outras pessoas se aproximaram do palco, fazendo o fogo ficar cada vez mais alto, quando o fogo se apagou outro homem estava lá, este todos conheciam. Levantamos e aplaudimos Choi Seunghyun, o diretor da cidade-escola.
    -Obrigado. Agora, antes de vocês saberem em que andar e quarto do dormitório vocês ficarão, devo avisar que faremos algo um pouco diferente nesse ano... Vamos misturar os gêneros. –Shori gaguejou um pouco ao falar e todo o salão ficou em silêncio. –Vamos... Misturar os gêneros. –Shori repetiu com sua voz normal, mas depois voltou a interpretar a voz de Seunghyun. –Não queremos ser como nossos antepassados pré-históricos, somos todos iguais independente dos gêneros que nos caracterizam quando começamos a existir. Somos mais do que homens ou mulheres, somos átomos.
    Todos aplaudimos, mesmo temerosos com a ideia nova. Juntar os gêneros parecia ser algo assustador por causa dos boatos, histórias que diziam que dependendo da linhagem, pessoas de gêneros diferentes estavam destinados a uma vida de lutas um contra o outro até a morte. Por exemplo: minha linhagem é Kim, que é o meu sobrenome, então a linhagem que seria minha inimiga é a linhagem Kwon.
    Mas é claro que eu não deveria me preocupar com isso.
    Estava tão emersa em meus pensamentos que nem percebi o telão se estendendo pela parede do salão, então aquele filme perturbador que tínhamos que ver todo ano começou na tela enorme.
    “Átomos: Quem são, De onde vem e outras perguntas freqüentes.” A voz do narrador ressoou tão alto pelo salão que nenhum ventríloquo precisou interpretá-la. “O que são Átomos exatamente? Ora, essa pergunta é muito fácil de ser respondida! Somos mestiços, metade humanos e metade robôs, uma combinação perfeita de emoção e razão. E posso garantir que o modo que somos feitos não é nada nojento.”
    “Vocês sabem como Átomos são e sabem que apesar de podermos praticar o ato sexual...” Shori fez uma careta de nojo. “Ainda não podemos engravidar. Os pais de vocês os adotaram completamente conforme os gostos deles e vocês foram feitos unicamente para eles: seu endo-esqueleto foi preparado com todos os fios necessários e um cérebro artificial, que não funcionaria sem seus corações.” Algumas das pessoas sentadas perto de mim colocaram a mão no peito. “Corações humanos de verdade, guardados em freezers por anos, vocês deveriam cuidar deles como se fossem jóias, já que sempre que um Átomo morre, o coração dele é transferido para que uma nova vida possa existir, assim como alguns de seus órgãos internos: estômago, pulmões, intestino, rins, tudo para que os Átomos atinjam o nível da perfeição corporal.”
    “Sua pele é feita com borracha sintética, algumas são um pouco sensíveis demais, não é? Sempre existem lotes com falhas, mas vocês devem aprender a usar essas falhas para transformá-las em acertos. O único erro que não pode ser transformado... são as emoções. Átomos se sentirem tristes, alegres, irritados, apaixonados... Isso não deveria acontecer, é o nosso defeito mortal, algo que ainda estamos consertando.” Foi o que a voz disse desde que eu tinha dez anos, todo ano o documentário nunca mudava, já havia perdido as esperanças. “Mas infelizmente, tentando consertar essa falha, acabamos libertando um vírus muito perigoso, o AASEDAE900, também conhecido como vírus da nova geração”.
    É, esse definitivamente não parecia o mesmo documentário, eles editaram o final?
    “O vírus entra no seu sistema interno facilmente e ataca o seu coração diretamente, fazendo com que você morra e com que o seu coração seja destruído internamente, não podendo ser reaproveitado, então tenham cuidado. Estamos criando uma cura, mas ainda não podemos liberá-la pois os testes com animais deram errado.” Silêncio, animais eram uma coisa meio rara, apenas pessoas autorizadas podiam ter e pessoas autorizadas eram apenas adultos com algum nível de importância. “Quando todos os testes funcionarem vocês estarão salvos. Por enquanto foquem nos estudos e lembrem-se: um Átomo não tem medo. Saudações da capital, jovens”. E o documentário se encerrou, fazendo com que o diretor Choi Seunghyun voltasse ao palco e mandassem os alunos responsáveis distribuírem as fichas dos dormitórios.
    Eu estava ansiosa, contato físico entre duas pessoas do mesmo gênero era mal visto, entre pessoas de gêneros diferentes então, era morte na certa. Ensinaram isso para nós desde crianças e foi exatamente pensando nisso que a pessoa que estava entregando a minha ficha esbarrou a ponta dos dedos na minha mão.
    -Desculpa... –A voz disse, enquanto eu levantava meu olhar até avistar o mesmo garoto que havia visto antes, o cabelo preto contrastando com a pele clara como açúcar.
    -Tenha mais cuidado, Young. –Eu peguei minha ficha, tendo certeza que ele tinha Young no nome, apenas pessoas da linhagem Young controlavam o fogo.
    -Como você...
    -Pirocinese, certo? Eu vi isso. –Ele concordou, fazendo seus lábios se curvarem levemente, o que parecia um sorriso, e continuou entregando as fichas. –Shori, o meu nome está na sua ficha? –Perguntei para a garota ao meu lado, que apenas encarava a ficha dela. –Shori, você está me ouvindo?
    Coloquei a mão na frente da face da mesma, balançando-a, o que surtiu efeito já que ela balançou a cabeça.
    -Vamos morar no mesmo andar, porém separadas. –Ela apontou sua ficha com um nome estampado ao seu lado no quarto nove. –Lee Chan. –Ela falou baixinho, ficando com as bochechas róseas por ter usado sua voz fina, fazendo com que algumas pessoas olhassem para ela.
    Suspirei, tentando me lembrar desse nome, infelizmente não me lembrei de nada.
    -Eu não conheço, tome cuidado com essa pessoa. –Pedi, entregando sua ficha de novo, enquanto o diretor pedia para que fôssemos para os dormitórios pois as empregadas provavelmente já haviam arrumado tudo. –Vamos juntas até o dormitório.
    Ela concordou com a cabeça e se preparou para fazer outro portal quando de repente nos surpreendemos com um professor vindo em nossa direção, ele tinha cabelos loiros familiares e eu me lembrei imediatamente dele. Professor Lee Seunghyun, sim, ele compartilhava o mesmo nome do diretor. Era o tutor de Shori desde que ela chegou na cidade-escola e o mais novo dos professores.
    -Seungri, olá! –Ele chegou, sorrindo para a pequena que apenas acenou com uma das mãos, pigarreei. –Ah, você também, Sohyon. –Lhe mostrei a língua, como a pessoa se esquecia assim de mim? –Bem, eu vim avisar á você que nós começaremos com as aulas mais tarde, para você descansar bem, não podemos começar com uma criança cansada, não é mesmo? –Ele era o professor mais legal que eu conhecia, porque meus professores não eram como ele?
    Seunghyun era professor da linhagem Seung, ensinava todas as crianças com esse nome, como ele, o que incluía Shori, que ele insistia em chamar de Seungri, o nome real dela. Ele tinha tanto carinho com a pequena que a deixava uma semana sem aula para tirar uma folga, já que as aulas nunca acabavam, a última aula do ano era dia trinta do último mês e a primeira era no dia um, nós não descansávamos.
    Bem, a maioria não, mas uns poucos privilegiados conseguiam muito tempo livre.
    O professor Seunghyun nos contou sobre o documentário e disse que o vírus era muito perigoso e se instalava nas salas de tempo livre, que eram os cinemas, parques e estúdios de treino, usávamos o último para treinar dança. Parece estranho, mas a dança ajuda nosso corpo a ser mais resistente e não se quebrar facilmente.
    Ele pediu para nós — ou melhor, para Seungri —termos cuidado como o vírus, já que ainda não tinha cura e nos liberou para irmos ao prédio. Assim que chegamos no dormitório M começamos a contar os andares. Treze andares ao todo, nove quartos grandes que ocupavam nove andares inteiros, um para cada quarto, mais as salas extras, eu podia conviver com isso.
    Assim que entrei no prédio senti o cheiro estranho que meus sensores tentavam reconhecer.
    Identificando...
    Odor identificado: fumaça.
    Isso não me deixou muito calma e fui imediatamente correndo até o lugar de origem da fumaça, com Shori vindo atrás de mim, até que meu coração se apertou ao ver a cena: um garoto tentando á todo custo apagar um macarrão instantâneo em chamas, que insistia em pegar fogo. Parecia uma cena engraçada, mas queimar macarrão instantâneo é um crime!
    Shori se aproximou do potinho de macarrão, fechando os olhos e tentando controlar a água da torneira. Ela tinha o poder da manipulação elemental, controlava a água e o ar pois ainda não havia aprendido á controlar os outros elementos, infelizmente também não conseguia controlar os seus poderes e a torneira acabou estourando, fazendo a água jorrar para todo o lado, consequentemente apagando o fogo. Destruímos a cozinha? Sim, mas salvamos um potinho de macarrão instantâneo.
    -Obrigado, eu não sei controlar isso de pirocinese ainda... –Ele sorriu, se virando e eu me lembrei do garoto, era o Young alguma coisa do salão. –Ah, é você! Qual o seu nome? –Ele perguntou para mim.
    -Ah... Kim Sohyon. –Respondi meio rápido demais, ainda assustada por causa do macarrão em chamas.
    -O meu nome é Kwon Soonyoung! –Ele estendeu a mão e eu finalmente entendi tudo.

    Kwon e Kim eram linhagens inimigas.

    Capítulo Um: Kim

    0
  • - Copyright © Dreamland - Powered by Blogger - Designed by Johanes Djogan -